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FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA*

*FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA*

* Marcelo Eduardo Freitas

Em plena ditadura militar, no distante ano de 1961, a ação de três padres, responsáveis pela Caritas brasileira, ao idealizarem uma campanha para arrecadar fundos para atividades assistenciais, plantaram *o primeiro embrião da hoje conhecida Campanha da Fraternidade.*

*Três anos mais tarde, no ano de 1964, foi realizada a primeira Campanha de amplitude nacional, sob os cuidados da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.*

Para este ano de 2018, de maneira extremamente apropriada e consentânea com a nossa terrível realidade, foi escolhido o tema *“fraternidade e superação da violência” e o lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).*

O objetivo geral da Campanha, destarte, é o de construir a fraternidade, promover uma cultura de paz, de reconciliação e de justiça, como efetivo mecanismo de superação da violência. Confesso que não será fácil! Os homens temos sido ruins com nossos semelhantes!

*No momento em que escrevo essas palavras, acabo de tomar conhecimento de uma troca de tiros em uma propriedade rural, localizada no município de Capitão Enéas/MG, que deixou, até este momento, seis pessoas feridas, segundo a Polícia Militar. Conforme relatos, um grupo chegou em um caminhão baú e desceu do veículo atirando contra os ocupantes da fazenda, que revidaram o ataque. Sem qualquer juízo de valor sobre fatos que ainda pendem de investigação, a violência contra trabalhadores rurais e povos tradicionais ainda é uma realidade presente em nosso meio!*

Na mesma senda, na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, dados divulgados pelo Núcleo de Estudos de Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o Brasil permanece como uma das nações mais violentas do mundo para as mulheres.

*Os dados mostram que 4.473 mulheres foram vítimas de homicídio em 2017, um crescimento de 6,5% em relação a 2016, quando 4.201 mulheres foram assassinadas. Isso significa que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, taxa de 4,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino. Para que o leitor tenha ideia do que isso representa, se considerarmos o último relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocuparia a 7ª posição entre as nações mais violentas do planeta contra a mulher.*

Como se tudo isso não fosse suficiente, o Brasil ostenta hoje o título de campeão mundial em números absolutos de homicídios. São 171 pessoas assassinadas por dia em nossa república de bananas. Para melhor compreensão da gravidade do problema, a Síria, país que se encontra em guerra civil declarada, matou - nos últimos quatro anos - cerca de 256 mil pessoas. No Brasil, contudo, o número é bem maior: são 279 mil pessoas mortas no mesmo período. É uma insanidade! *Um massacre silencioso e sem reação efetiva, com público alvo conhecido e determinado!*

Aqui não vou nem aprofundar nos números da corrupção, que retiram investimentos básicos da ordem de quase 1 trilhão de reais, em detrimento especialmente das classes mais pobres de nossa nação. Essa forma de violência, em verdade, faz parte de nossa história, lamentavelmente.

Observa-se, assim, que a realidade brasileira tem sido deprimente. Lado outro, a provocação estampada pela Campanha da Fraternidade deste ano é gritante. Provoca a cada um de nós a fazer um pouco mais! É fato que ninguém ignora tudo, que ninguém sabe de tudo! Todos nós sabemos de alguma coisa! O que se exige hoje é atitude! Em verdade, “não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes”. *É preciso conter a brutalidade humana, a intolerância, a selvageria!*

A obediência é uma decisão de caráter individual. O servir é um ato de manifestação coletiva. Pois somente servindo encorajamos o próximo a também servir, ou seja, o ato de servir gera a gratidão, gratidão que gera satisfação, que gera mais servir. O amor ao próximo proporciona isso: uma corrente de benevolências, um grande desafio de caráter humanitário. Precisamos de servir mais! Ajudar ao próximo e unirmos forças em busca de uma efetiva cultura de paz e superação da violência!

*Concluo essa breve provocação à superação de todas as formas de violência com as palavras do poeta Reinaldo Ribeiro: “Decidi que deveria ignorar a aprovação coletiva no dia em que percebi que a vida é um bombardeio de críticas e a morte é uma avalanche de hipócritas elogios. Por isso, mesmo vivendo em paz com todos que posso, digo que o amor de Deus é tudo que me basta!” Que no amor do Criador possamos amar todas as criaturas! A oração, por si só, não basta! É tempo de ação! Onde está o seu irmão que chora?*

(*) Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

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