Finalmente um herói


Finalmente um herói

O barulho inconfundível de uma pistola ponto 40, carregamento semiautomático, 12 munições, sem contar o carregador que ajuda a totalizar 24 possíveis disparos, entra em confronto com meu tranquilo sono. Pode-se observar que meu corpo reage imediatamente a esta som; minha respiração fica ofegante; percebo gotas de suor descendo pelo meu peito; coração acelerado e minha mente estão em alerta.
Estou sentado neste confortável coxão, porém, não me recordo do momento em
que fiz tal ato. Na verdade, acabo de perceber que estou em piloto automático; ando pelo quarto ainda escuro procurando a minha farda preta, coloco-a enquanto passo a mão em uma caveira bordada na manga esquerda. É notório que há algo acontecendo, o choro da minha filha misturase ao som da eterna troca de tiros, o grito agudo da minha princesa atravessa as paredes da casa. Minha mulher entra na sala com a bebê presa a seu colo, parecia até um abraço, mas eu a conhecia o bastante para saber que era apenas uma tentativa de proteger nossa filha de qualquer bala perdida. Olhei no fundo de seus olhos, vi todos os seus demônios ali, sei muito bem que minha maior guerreira estava com medo. Com um confiante sorriso tento acalmá-la... Esta era minha forma silenciosa de dizer que tudo ia ficar bem, deixo um terno beijo em sua testa e digo: “prometo lavar a louça quando chegar”. O amor da minha vida sorri lindamente, como se eu tivesse acabado de fazer a mais bonita declaração de amor e, de certo modo, eu tinha. Esse é o nosso jeito de dizer até logo, uma promessa mais pura e verdadeira que eu voltaria para ela. 
Nesse momento, já estou há aproximadamente 40 minutos em combate, o morro
está ficando calmo, enfim, tudo parece estar voltando ao normal, fico em extrema euforia por ter conseguido fazer as apreensões necessárias. Depois de mais algum tempo, o Capitão declara o fim da operação, respirei aliviado. Percebo que, na hora da confusão, eu acabei saindo a pé, então, peço carona a um dos agentes do batalhão.
Estávamos subindo o morro dentro de um moderno carro, quando meu colega
atende ao telefone e avisa-me que teríamos que fazer uma pequena parada. Não vejo problema algum nisso, fico admirando o Cristo Redentor e pensando que tenho que levar meus dois amores para conhecê-lo...
Lamentavelmente nada é perfeito, naquela madrugada descobri que tinha
acabado com grande parte de uma facção milionária, entretanto, quem eu pensei que fosse um amigo, fazia parte dela...
Quando garoto eu sempre quis ser um herói, tornar-me policial foi um sonho
realizado, poder fazer a diferença, por menor que ela fosse, salvar alguém, conseguir de pouco em pouco um pouco deixar o mundo um lugar melhor. Acho que hoje, sou finalmente um herói para minha garotinha, “papai fez o barulho mau parar”; olho para o céu e digo para minha mulher: “amor, infelizmente, eu não vou conseguir lavar a louça”...

Carolina Nascimento Vrech Coelho

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