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Estado aumenta imposto sobre combustível, que vai subir mais

REVOLTA

Estado aumenta imposto sobre combustível, que vai subir mais

Sem saída diante dos preços, donos de veículos apelam para bicicletas, caminhadas e caronas

PUBLICADO EM 03/01/18 - 03h00

Juliana Gontijo

Que a gasolina nunca esteve tão cara a gente já sabe. O preço médio do litro em Minas Gerais estava em R$ 4,167 no fim de 2017, segundo levantamento oficial da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Agora, vai subir mais. O governo de Minas aumentou de 29% para 31% a alíquota de ICMS sobre a gasolina, e de 14% para 16% o imposto sobre o etanol, numa decisão tomada, ironicamente, no Dia da Liberdade de Impostos do ano passado, e que passou a valer no dia 1º deste mês.

Segundo o diretor do Minaspetro (o sindicato dos postos), Braúlio Chaves, os repasses já estão chegando aos postos. “O impacto é de mais de R$ 0,12 no preço da gasolina e por volta de R$ 0,08 no etanol”, diz.

O brasileiro ainda está se acostumando à nova política de preços da Petrobras, em vigor desde junho do ano passado. Antes, a influência do governo sobre a petroleira era maior, e a empresa segurava os preços por determinações políticas. Depois que passou a adotar a paridade com o mercado internacional, esses aumentos represados chegaram à bomba.

Quem tem veículo se vira para conviver com o gasto maior sem aumento na renda. Tem gente que até muda o estilo de vida. “Quase não uso mais a minha moto, estou agora com a bicicleta. Eu gastava entre R$ 120 e R$ 150 com gasolina por mês. Passou para R$ 200”, conta o caixa Matheus de Souza. “Troquei meu carro 1.8 por um 1.0 para economizar. Agora também procuro ir a pé aos lugares”, diz o professor Filipe Quintão.

O aumento do imposto não agradou os motoristas. “É um absurdo. O problema não é só essa alta do ICMS. As constantes elevações de preço da Petrobras impactam não só na hora de abastecer, mas no preço de outras coisas”, analisa o motorista de ônibus Aylton Elias da Silva, que, aos poucos, foi reduzindo o uso do carro. “Do jeito que as coisas estão indo, estou com receio de pagar R$ 7 pelo litro da gasolina no fim do ano”, diz.

Para Leonardo Fernandes, gerente do posto Vila Pica Pau, em Contagem, a elevação do imposto vai piorar a vida do motorista, mas também a dos empresários do setor, que convivem com a redução das margens de lucro e das vendas. “O comportamento do consumidor vem mudando por causa das altas constantes da Petrobras. Quem antes completava o tanque agora coloca combustível aos poucos, R$ 20, R$ 50 de cada vez”, diz.

Postos filiados ao Minaspetro estão, desde terça-feira (2), exibindo faixas e cartazes contra o aumento do ICMS no Estado e do PIS/Cofins (federal) incidente nesses produtos. “Queremos que os clientes entendam que estamos junto com eles nessa revolta contra o atual preço da gasolina”, diz o presidente da entidade, Carlos Guimarães Jr.

O sindicato afirma que Minas está perto de ultrapassar uma carga tributária de 50% sobre os preços dos combustíveis. Segundo a Petrobras, só 29% do preço da gasolina depende dela.

A Secretaria de Estado de Fazenda informa, em nota, que, especificamente no caso do álcool, a nova alíquota visa aproximar o percentual cobrado em Minas Gerais ao de outros Estados. De acordo com a secretaria, o ICMS do álcool em Minas Gerais permanece inferior aos índices de pelo menos 22 unidades da federação, que variam entre 23% (Pernambuco) e 30% (Rio Grande do Sul).

 

'Quando é para subir, é rápido'

A diferença da velocidade dos repasses do preços dos combustíveis também incomoda o consumidor. “Quando é que para subir, o repasse é rápido. Quando o preço abaixa, demora a chegar na gente”, reclama o caixa Matheus de Souza.

O diretor do Minaspetro, Braúlio Chaves, diz que isso ocorre porque os postos ainda estão se adaptando à nova política de preços da Petrobras. “Estamos aprendendo a precificar num cenário de oscilação. Além disso, existem diversas variáveis que interferem na composição de preços da longa cadeia do setor”, analisa.

FOTO: Leo Fontes

Hábito diferente

“Com as constantes altas da gasolina, o cliente está mudando seus hábitos, está abastecendo aos poucos, evitando completar”

Leonardo Fernandes

Gerente de posto

FOTO: Leo Fontes

Caminhadas

“Com as constantes altas da gasolina, passei a ir à igreja a pé. É fato que estou caminhando mais”

Clebert Alves

Supervisor de produção

 

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