Resultado de imagem para nao aguento maisCaríssima Renata, é torturante quando você precisa desabafar sobre algo, mas não sabe como se expressar e nem com quem conversar. Felizmente, ainda podemos contar com o seu blog para impedir que a nossa represa transborde. Outrossim, vivemos num calabouço, no submundo, no subsolo da Corporação, amordaçados por uma masmorra em que somos levados a ela pelo medo que a nós é diuturnamente imposto, fazendo com que a nossa voz se cale e os nossos direitos vão se perdendo no poluído ar do assédio moral que nos assombra nos corredores dos quartéis. Somos vítimas constantes da tortura psicológica que os desmandos desse governo nos tem feito sofrer, da incerteza dos nossos proventos, da privação alimentar no seio da nossa família, dos constrangimentos e, o pior, ainda ver que em nosso meio militar, existem pessoas que defendem a suposta normalidade que a família miliciana tem sido exposta. Estamos simplesmente sendo colocados num paredão, executados a tiros aos sermos submetidos a uma pena de morte social, moral, dos valores que ainda sustentam a imagem da bicentenária milícia de Tiradentes. Olha, não é fácil suportar ver os nossos filhos pedindo um simples brinquedo de natal, uma roupa que falta, a inocência das nossas crianças que não sabem o sofrimento que estamos passando. Porque o governo tem feito isso com a classe? Porque os megalômanos salários do judiciário, ministério público, legislativo, todos esses são creditados de forma integral e sem atrasos. São melhores ou mais importantes do que nós, policiais militares? Não, não é nada disso! O problema é que temos telhadinho de vidro, frágeis como um cristal. Estamos sendo impedidos de lutar pelos nossos direitos. Um atentado aos preceitos constitucionais básicos, sem precedentes. Quem será por nós? Temos o poder em nossas mãos e não estamos sabendo usá-lo. Há de ter uma saída para esse abismo de abusos e contratempos que nos jogaram...vala comum. A sociedade não faz a mínima idéia das humilhações que sofremos. O momento é para reflexão e muita luta. Como dizia Mário Quintana: "O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente. E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver." Paramos de sonhar a muito tempo. Tivemos furtados nossos sonhos. O que me ocorre hoje é um sentimento de que somos descartáveis para o governo, de fácil substituição, diminuídos, fracassados, porque é assim que estamos sendo tocados que nem gado para os abatedouros. A principal causa do abastardamento da “vida pública” no país, com uma ou outra exceção, resulta do descaso de todos os governos, não apenas pela segurança pública em si, mas insegurança de quem hoje tem o dever de levar segurança para a sociedade. Como trabalhar motivados e despreocupados, se hoje quando saímos para o turno de serviço, deixamos nossa família em casa à mercê da fome, da falta de itens básicos para a dignidade de qualquer ser humano. São três anos em que não temos reposição se quer das perdas inflacionárias. Reflitam bem que, hoje um Soldado recém formado, percebe líquido em sua folha de pagamento pouco mais de três salários mínimos. Olha lá se não recebe menos ainda do que dito acima. Além de mal remunerada, não há, hoje, profissão mais ingrata e difícil de ser exercida do que a de um policial militar. O respeito entre governo, comando institucional e "chão de fábrica" acabou faz tempo, mas, ao que parece, ninguém se deu conta disso ou, então, concorda com isso. Só resta-nos agora é colocar nossas preocupações nas mãos daquele que nunca nos abandou: DEUS PAI TODO PODEROSO. Tristes tempos os que estamos vivendo em Minas Gerais. Viver aqui como policial militar é uma arte, uma corda bamba, um caminhar por um fio de navalha. Ainda acredito na vinda de tempos melhores! Esse descaso pelo que deveria ser a primeiríssima preocupação de todos os governos leva ao desinteresse por nossa história. E o povo que não conhece sua história não tem como pensar nem encarar seu futuro. Ou, dizendo melhor: não tem projeto de futuro. Defendemos o lema da nossa bandeira não apenas na teoria. Aprendemos fazendo, praticando, lutando constantemente nesse teatro real que norteia a segurança pública. Somos tão vítimas e, senão, ainda mais vítimas desse modelo falido que temos de engolir "guela abaixo." Nunca foi fácil controlar o desespero de ninguém. É ele que nos obriga a cometer atos que, em sã consciência, jamais seriam imaginados. É nessa hora que o ser humano se transforma em animal irracional. Assinado: um Policial Militar que está sofrendo por amor à profissão.
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